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Uma perda para a humanidade

"Lutei contra a dominação branca,
e lutei contra a dominação negra"
(Foto: Le Nouveau Courrier/divulgação)

| Por Welson Gasparini |

A morte do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, aos 95 anos de idade, em Pretória, no último dia 5, representou, sem qualquer dúvida, uma perda para a própria humanidade. Poucas personalidades influenciaram tanto a vida de um país quanto Mandela, considerado, muito justamente, um verdadeiro pai para o seu povo. Conhecido como "Madiba" na África do Sul,  foi um dos maiores heróis da luta dos negros pela igualdade de direitos naquele país  e  um dos principais responsáveis pelo fim do regime racista do apartheid, vigente entre 1948 e 1993. Sua saúde frágil o impedia, nos últimos tempos, de fazer aparições públicas: a  última foi durante a Copa do Mundo de 2010, lá realizada.  Mas ele continuou recebendo visitantes de grande visibilidade, incluindo o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton. Dos 95 anos que viveu,  27 ele permaneceu encarcerado; ao ser solto, no dia 11 de fevereiro de 1990, em  um evento transmitido mundialmente, prometeu que continuaria lutando pela igualdade racial; em 1993 ganhou o  Prêmio Nobel da Paz e, em 1994,  foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul, nas primeiras eleições multirraciais do país.
Sua filosofia de vida pode ser expressa na seguinte frase: “Lutei contra a dominação branca, e lutei contra a dominação negra. Cultivei o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas em harmonia e com oportunidades iguais. Esse é um ideal pelo qual eu espero viver e alcançar. Mas, se for necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer”.
"Odeio a arrogância racial" - Após o fim da carreira política, o ex-presidente sul-africano se voltou para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. Participou de uma campanha de arrecadação de fundos para combater a Aids que tinha como símbolo o número 46664, que o identificava quando esteve preso.
Nelson Mandela deve ser lembrado como alguém que dedicou sua  vida ao serviço da humanidade, sempre trabalhando pela paz, pela liberdade e pela igualdade racial. Combateu, energicamente, a discriminação racial (“Odeio a arrogância racial que decreta que as coisas boas da vida devem seguir sendo direito exclusivo de uma minoria”), e definiu o apartheid como “uma mancha que não será apagada da história da humanidade”.  Conseguiu, num país cuja maioria negra era dominada por uma minoria branca, o ideal de uma nação multirracial, promovendo a reconciliação de uns com os outros. A paz, para ele, não era “ simplesmente a ausência de conflito” mas sim a criação de um entorno em que todos possam prosperar, independentemente de raça, cor, credo, religião, sexo, classe, casta ou qualquer outra característica social.  Ele via na eliminação da pobreza “não um gesto de caridade” mas, sim, “um ato de justiça”.
Com a morte de Mandela o mundo fica um pouco mais pobre; conforta, entretanto, a tantos quantos lamentam sua perda,  a certeza de que as sementes por ele plantadas continuarão germinando no coração dos homens e de que a força do amor é maior do que a do ódio...
 
 
Welson Gasparini é deputado estadual, advogado e ex-prefeito de Ribeirão Preto.

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